Entre sem se perder...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A dança de Safo

Decidiu chover dentro do quarto.
Linda-gris a lua fotografava.
Lânguida lambia...
e até o cabelo suava.
Molhou bem
se encharcava.
Cuspia tudo
te vomitava.
Não permiti que nadasse.
O lençol te afogava...
na noite em que decidi
que só tu pingaria.

sábado, 29 de novembro de 2008



Não me julgue pela capa...
Tente ler ao menos o final do primeiro capítulo.

A vingança é o veneno que atinge mais quem manipula
do que quem deveria ingerir.

sábado, 22 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Desgraçado poema...


Esperei que chegasse o dia mais triste.
Esperei que fosse nublado.
Esperei que chovesse
que trovejasse.
Esperei a noite
do dia mais sinistro do ano...
Para escrever este poema
aguardei que desse meia-noite.
Procurei a sepultura mais monumental
mais imponente
do cemitério mais tétrico.
Queria falar sobre vampiros
sobre magros vampiros famintos.
Cheguei a escrever com sangue o poema
e lhe emprestei um tom mais macabro.
Mas meu poema
teima parecer só engraçado.

Infelizmente
somos capazes de desaprender
aquilo que já nos propusemos a ensinar!

terça-feira, 4 de novembro de 2008


Confira a comunidade criada recentemente no ORKUT:
Silvia Mara sem páginas.
Para tanto acesse:
Participe você também, fazendo parte do grupo de leitores deste blog!

domingo, 2 de novembro de 2008



(...) se existisse outra forma de você me ouvir...
haveria tantas outras maneiras de eu dizer.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Era uma casa...


O sonho encantado
abandonou o chalé de madeira.
A casa amarela,
amareleceu um dia.
Acordou num tom sombrio,
quase ferrugem.
(...)
Se mudaram para o lado
duas nuvens carregadas.
A dona da casa passou a viver
aos lampejos.
A dona da casa conjugava
sala e cozinha no presente
os verbos no passado.
A dona da casa se envenenava
diariamente,
limpando banheiros.
E passou a achar dois filhos muito,
gato e cachorro muito,
as peças de casa muito.
Marido muito pouco.
A dona da casa
aumentou de peso.
Passou a pesar.
Tudo que era leve,
pesava.
A dona passou a sofrer
de uma doença danada.
A dona da sobrecarga
era dona de canteiros de morango.
Morangos também carregados
que colhiam
cotidianamente
toda a poesia,
incapaz de enxergar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Olaria

Pulei a cerca pra beijar sapo.
Comprava secos no armazém
que era molhado.
Era um menino da saias,
 mais esperto que a quadra,
cansava a esquina.
Morava no bairro de barro,
com heróis de pedra.
Caçava muçum no banhado.
Ostentava uma chinelinha brejeira
e um sorriso Havaiana - legítima.
Passam todos os dias na minha frente...
um o outro pára e cumprimenta.
Sabia o número de grãos
que havia comido de areia.
Monaretta ao sol.
A macela me recolhia pra dentro.
O ginásio com o seu vozeirão inconfundível
ecoava papagaio
travessuras recorrentes.
Trepava todos os muros...
subia todas as árvores.
A sorte foi que cresci,
odiando amar tudo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008


A M A R E L A
sem páginas de um livroPOESIA ILUSTRADA
Amarela é um livro multimídia, em formato audiovisual, com animação e locução, página à página. Os epigramas – poemas curtos - abordam um universo ficcional de onde emerge a poesia. Amarela é um personagem que brinca com as palavras, ansiando se comunicar. Dentro de um discurso visual, propomos ao leitor a possibilidade de visitar o mundo de onde a poesia saiu... Amarela estreiou em 2005, na 51ª feira do Livro de Porto Alegre, esteve em exposição na Casa de Cultura Mario Quintana, no Memorial do Rio Grande do Sul, na Galeria Iberê Camargo, na Usina do Gasômetro, fez parte dos interprogramas da TV Educativa durante o ano de 2006. Desde então, a autora Silvia Mara, participa ativamente de eventos culturais, Feiras do Livro, palestras e entrevistas sobre o conteúdo da obra. Por sugestão, o DVD da obra poderá ser encontrado em Porto Alegre à venda no Studio Clio - Instituto de Arte e Humanismo - Rua José do Patrocínio, nº 698 Cidade Baixa - Porto Alegre/RS Brasil - Telefone: (51) 3254.7200
Após três anos da estréia da obra, a equipe de divulgação do livro, disponibiliza os endereços abaixo para que o mesmo tenha livre acesso através do Youtube.

https://www.youtube.com/watch?v=NxbTOxle4tQ




Contatos: Assessoria de Comunicação
Silvia Mara
Telefones: 51 - 3231 8588
51 - 8603 8888

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Os poemas constantes neste Blogger são de autoria da escritora Silvia Mara.
A reprodução parcial ou integral destes textos só é permitida se constar do nome da escritora, devidamente expresso, após prévia autorização, podendo a mesma ser solicitada através deste endereço eletrônico.
Postura diferentemente desta, viola a Lei nº 9.610/98 - Lei de Direitos Autorais.
As imagens utilizadas para ilustrar os poemas desta página preservam selos, logomarcas, créditos, circulam livremente pela Internet ou já caíram em domínio público.
Qualquer problema favor entrar em contato com a Assessoria de Imprensa desta Home Page.
Copyright©2008 Silvia Mara
All rights reserved

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Noite Feliz


O Papai Noel não vai trazer o vovô de volta.
Pode pedir...
O Papai Noel costuma decepcionar muito as crianças.
Oh, pequenino!
(...)
te conforma com o carrinho que o bom velhinho te deixou.
Ora
o carrinho já envelheceu?
Não é mais do ano?
Sei...
o papai perdeu o emprego.
Não chore pobre criança.
Pede o quiseres pra vovó.
Pra ser amada ela te dará tudo
como faz com todos.
A propósito...
chegou a cartinha da mamãe
pedindo herança.
Isso o Papai Noel também não pode dar
mas vai ver o que pode fazer com o tabelião.
Pobre criança
inconformada com o seu presente.
Aproveita
aproveita e se despede da magia desta noite.
Amanhã todos inconformados
te convencerão que sou o homem do saco.
Não importa que tu não chore
tenho lágrimas suficientes pra nós dois!
Não adianta alguém tentar ensinar
aquilo que só a gente
pode aprender...

domingo, 12 de outubro de 2008

Sociedade anônima


Eleito o pai do ano
foi pego fazendo boca-de-urna.
Descobriu que parte dos eleitores
pertenciam a uma boca de fumo.
Indistintamente todos
perderam a boquinha.
Alguns nomes saíram da boca do sapo
outros flagrados na boca do lixo.
A ex primeira-dama é conhecida
por boca do inferno.
Só por isso sou desbocada.

Para saber mais sobre a escritora está disponibilizada na Web fotos e vídeos através do Orkut.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Crime e castigo


Quando inicia
fala aos meus pés...
se detêm em ouvir os dedos
que murmuram.
Ao calcanhar inconfessável
segredos vulneráveis.
Ensurdece os vizinhos.
(...)
Ocupa-se longamente
e permanece
permanece.
Morde meus lábios
todos os lábios.
Pequenos
médios
grandes...
me descobre
me cobre
me cobre.
Brinca de esconde-esconde
nas coxas emprestadas.
Sua
sua
sua.
Soa poesia pela boca
sua boca pelo corpo
seu corpo pelo meu.
Em par
somos ímpares.
E repete
repete...
Até exaurir os lençóis
manchar as paredes
enguiçar a janela
incendiar o abajur.
E chama
chama...
Faz suar o banheiro.
envergonha a fechadura
queima a comida.
Devora tudo o que sou.
Até que eu suplique
não posso.
Até que implore
chega.
Até que desmaie.
Acordamos
naquele horário
cientes do que fizemos.
Só nós dois sabendo
em que estado
abandonamos os corpos.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Poesia de Pedra


Pedro era uma espera.
Por Pedro esperei a vida toda.
Pedro deveria ter vindo.
Mas Pedro morreu.
Só eu sinto esta dor.
Prematuramente
Pedro morreu.
Pedro preferiu não vir.
Pedro preferiu
abrir os olhos bem antes.

Nulo


Vôa uma fina película de números sobre o asfalto.
Dá pra ver o riso honesto
do sem vergonha.
A cidade desfila o silêncio
de um dia de festa
sem acompanhamento.
Guarda-se na urna
restos secretos
de uma ética absolutamente mortal.
Há um entusiasmo desdentado em cada esquina.
É o carnaval dos porta-bandeiras.
É o dia sagrado dos demos.
As ruas se arrastam
cheias dos sujeiras
ouvindo-se o tempo todo
o barulho estridente
de quem confirma no verde
a desesperança.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Publique-se com data retroativa

Ontem ele lembrou
teu mau hálito
teu mau hábito
recordou surdo
teus gritos mudos
a celulite estérica
e os chiliques
travestidos de sensibilidade.
Lembrou o cinzeiro
que não aguentava teu gosto.
Ontem ele disse
de fato
com todas as letras
- nunca te amou!
Ontem o telefone fofoqueiro
falou pro alto-falante
sobre o teu desespero.
Falou dos teus chás bipolares
que dançam pela casa
ao patético som de sinetinha.
Ontem soube em detalhes
finalmente
num ritual de vergonha
das infindáveis cenas
do teu grotesco.
Ontem falou do teu peso
e da ineficiência de se lavar.
Ontem ele disse
o quanto era cômodo
o quanto era incômodo.
Ontem me disse
com quantas precisou deitar
quantas tentou amar...
Ontem me falou
dos tapas na cara
que as cartas te deram na mesa
das cenas
onde até a violência se deprimia.
Ontem me contou
do copo que te persegue
e da mania de perseguição.
Ontem seus nervos riam
pensando no banho provocativo
regando tua nudez deteriorada.
Ontem precisei acalmá-lo
o acalmei a noite toda.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Marionete


Pobre porcelana
não sabe o quanto ruim e triste
é a bonequinha.
Pobre branca porcelana
não sabe o que a bonequinha tem por dentro.
Pobre vestido
acoberta a maldade
entranhada na espuma.
E o que dizer
do infeliz sapatinho vermelho
que se calça de infantil
mas que deseja.
O que falar do verniz
obrigado a refletir toda a feiura
escondida num sorriso
de gengivas predominantes.
Até as crianças riem de ti
brinquedo em jogos de adulto.
Todos a tua volta riem
com esta franjinha
pretensa colegial.
Todos te repulsam
dona-da-razão.
Pobre órfã
se ilude
ter sido adotada.
Ninguém brincou de boneca contigo
bonequinha.
Que o guarda-roupa
guarde também tua solidão
e o fundo do baú
te salve do fundo do poço.
Boneca inflável
todos te vêem
bonequinha
que se vende
por bem pouco.
Estão te dando corda
bonequinha
te dão corda
diariamente...
Só pra te verem
cedo ou tarde
quebrar.

Rebelde


Por um fio
o vermelho percorre.
Sangüíneo
desalinhado.
Desgrenhado.
Ora ondulado
não é nada liso.
Abandonou o curto e grosso
pra ser longo.
Bem mais longo.
Por agüentar as pontas
ando até a raíz.
Bulbo oleoso
ponta dupla.
Corto na minguante
porque cresce
cresce este meu jeito
que não sai da cabeça.





quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dedo na ferida


Não podia engravidar de ti
como minha mãe.
Mas te dei um filho
que quero que crie.
A criança não podia ser mais bonita
mais formosa
mais parecida contigo.
Pai me ajuda a criar nosso filho juntos.
Pai este filho é teu...
Meu marido só
só serviu pra que eu te desse um filho.
Tens obrigação comigo...
Assumiste todos os filhos
menos o meu?
Quer dizer que serei a única mãe solteira?
Vai me abandonar grávida?
Pai
como assim não podemos?
Podemos sim.
Sem que ninguém saiba.
Podemos sempre
às escondidas
muito bem disfarçados.
Ah, não?
Então quero que tu pague as fraldas.
Quero que tu pague a escolinha.
Quero que tu pague o carro.
E pague por minha mãe.
Quero que tu pague o diabo
que te farei amassar o pão.


Quero apenas que tu pague.

Participação de casamento


09 de agosto
um ano qualquer
Porto Alegre:
Sol e chuva casaram
Eu
sem cerimônia
até hoje
participo.



Nas horas vagas
sou boa menina...
O problema é que vivo ocupada!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Crescemos ao perceber
que nunca passaremos de crianças.


Tende piedade de nós!



Cordero de Deus...
A Suprema Corte não dorme
redige.
A Suprema Corte não come

A Suprema Corte compara
alhos com bugalhos.
Eruditos proclamam
a inauguração de suas interpretações particulares.
E o mofo vai cobrindo Têmis
que ao lado chora por desuso
e passa a temer a todos.

Cordero de Deus...
Lágrimas não prescrevem.
Dor é qualquer coisa irrenunciável.
Hediondo é sempre trágico.
Não me obriguem...
Não me obriguem chover no molhado.
Como ficam as almas que reivindicam um corpo?
Famílias assoam injustiças
em um tapete grande, vermelho latino.


Conveniência – teu nome é Direito
!

Sem título para não comprometer

Continua beijando.
Sente o gosto cítrico de tomate que carrego.
Continua beijando.
E fala comigo daí.
Murmura
porque ecoa.
Fala daí.
Escutas o barulho do molhado
perdido entre as coxas onde naufragas.
Beija meus lábios
lembrando o gosto que tem minha comida.
E pensa como é quando estás com fome.
E cospe bem
cospe bem no prato que tu come.

domingo, 21 de setembro de 2008

Consenso


Chegaste aqui sem identidade.
Tu és um nome
que se apropria indebitamente de sobrenomes.
E serás sempre fadada aos restos.
Serás sempre estepe
pneu de estepe.
Aplaudem os meus segredos
enquanto o teu público cai na privada.
Estou dando descarga.
Não sofres de nenhuma doença
são elas que sofrem de ti.
E jamais poderás sequer me fazer sombra.
Te embebedarás em lágrimas
com alto teor alcoólico
e fumarás teus dedos
e envelhecerás todos os dias
mais e mais
e por dentro.
E serás tão ou mais estéril
do que sempre foste.
E não haverá o que fazer.
E te preocuparás
com a relevante cerca do vizinho
depois com as pulgas do vizinho.
E a mulher do mesmo que se cuide!
Serás sempre aquela que sobra.


És aquela coitada
cuja única coisa que minha felicidade pode sentir
é pena.

Caríssimo

A pior morte nos obriga a sepultar vivos.
Mais penosa que missa de sétimo dia
será o passeio ao supermercado.
Pior que percorrer inscrições nas lápides
será o terror dos corredores vazios
entre uma gôndola e outra.
Fantasma é o que assombra
fazendo questão de não aparecer.
Honestamente...
você vai preferir que tivesse morrido.
Você vai desejar que estivesse tão podre
quanto o abacate que te fazem pagar caro por ele.

Acúmulo


Minha vó parou de passar
e ficou acumulada de roupas.
Ela passava só a chorar.
A mãe de meu pai
passava a chorar.
E as lágrimas engomavam toda a razão.
E quanto mais passava mais chorava...
Minha vó perdeu meu tio no meio do vapor.
Nunca mais o achou.
E procurava e procurava.
O tio que eu mais gostava.
Meu tio único.
O tio que entre vários era sempre o único.
E todos nós passamos...
Para ajudar passamos a não vê-lo.
Todos mudaram daquele dia em diante.
Meu pai inaugurou os seus olhos
e minha vó passava a chorar.
Daquele dia
em diante tudo foi ferro.
Daquele dia em diante
o útero começou a morrer.
Até que um dia minha vó parou de passar!

História para não dormir

Ele da fronteira oeste
encontrou minha mãe na serra.
Sou neta de analfabeta
como diria o presidente -
desde que nasceu.
Outra avó
prostituta desde que alguém morreu.
Sou mãe de pelo menos uma menina
que desejo ter
com um homem com idade para ser meu pai.
(...) não quero que ninguém mais saiba desta história
ela é só nossa!


Ocupação

Eras hóspede...
Vieste senhora
em minhas dependências
te abrigaste
Achei que em breve partirias
mas ficaste
Sem minha licença...
maldida dor
de mim
me desistalaste.


À Deriva

É meu ego no volante das coisas
Por isso nego
depois exorto...
te tenho horror
Ando no limite do suspiro
deste sopro
e sofro.
Mal acabada...
Venho de fábrica assim
- sem a menor garantia.

É Deus que tem que acreditar em mim
e não o contrário!

sábado, 13 de setembro de 2008

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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Último aviso


Queria poder não te amar.
Qualquer coisa que explico sobre ti
me detesto.
Revirei tuas coisas.
Encontrei entradas e mais entradas
- tu não tem saída!
Acendi uma vela por ti.
Estou particularmente feliz.
O filme que passa
conta a história
de um poeta assassinado
morto duas vezes.
Uma parece que foi suicídio.
É 20 de março.
Queria nascer de novo.
Perdi o que estava dizendo...
Nada se resolve por decreto.
Desiste da Marina.
Ela nunca vai te amar.
- tu não tem saída.
Acho que estou me repetindo.
Acho que eu também não tenho...
Vou mandar a tua mãe às favas.
E nada de dedicatórias à Carolina.
Chega.
Prefiro te ver num filme pornô
a ler tuas cartas de amor.
Já disse
chega!

Nau

Tem um esqueleto de homem
pelo pescoço pendurado.
Canoa furada
afundada
fantasticamente infundada.
Meu tesouro
meus mapas...
um destino em garrafa.
Inexplicavelmente passageira
lá gosto
lagarteio à luz da florescente.
Em meio ao nevoeiro
inexisto.
Só me permito o ilimitado
de meu aquário.







À Deus


O tema de casa se debruça
sobre o que eu era.
No rabisco
árvores de copas carregadinhas.
Meu sol não era só
vinha acompanhado pela obviedade
de duas delas.
Freqüentemente vou pro balanço
mas equilibro...
Que prazer brincar com o ar
mesmo sabendo que ali descendo
nos obrigam a usar sapatos.
Mas já não basta estar pisando no chão?
Agora ando descalça o tempo todo.
Mas se eu subir
agora
a esta altura
sempre haverá alguém
dizendo não pode.
A janta está pronta.
As crianças correm...
Então entendo.
Educamos todos
para que abandonem o balanço...
Por isso não largo as cordas.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O poeta é

 aquele que toma emprestada a roupa velha do outro

 entra na festa ostentando traje novo

 sem ter sido convidado.

 


O que eu sou não vem 
e o sono também.

Devolução

No frágil papel

deixo o meu papel frágil

que a vida me deu

e a poesia nunca esqueceu.

INAPTA



Promovo uma escrita armada.
Aliada atriz incapaz de simular.
Só policio o que intenta a caneta.
Filha que casou com o pai.
Mãe do próprio marido.
Beijo oito focinhos por dia.
Quando em português pareço grego.
Há muito me abandonou o microfone.
Explode todos os dias um amigo.
Adversos encaminham os proclames.
O plantão mora lá em casa.
Abro a porta e encerro.
É madrugada que me acorda pra passear.
Não pretendo nome de rua.
Ando só de boca em boca.
Sempre que furiosa sou lúcida.
Quando sensata pareço louca.

sábado, 6 de setembro de 2008

Parada


Entrou mais alguém.

 Além de mim

 mais alguém

 e mais alguém

 e mais

 e mais...

 até não poder entrar ninguém.

 

 Nunca achei que teria tanto espaço.