Entre sem se perder...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Da noite em que te peguei no colo...

Boy behind the Mask - Sarah Weaver

Sendo vários...
foste único.
Menino-pop de negra retina.
Menino-meigo
Pequeno Príncipe.
Tu moras agora nos passos da Lua
nos passos da rua
Tu brincas agora na Terra do Nunca.
Dormes num palco eterno
e te cobres apenas de aplausos.
Lágrimas compõe tua canção jamais ouvida
por nós jamais esperada.
Dorme
pequena criança.
Desliguem as luzes!
... estrelas não se apagam.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


Sem dúvida que vou...
vou como qualquer outro.
Mas eu só vou...
se for de arrasto!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Disseste bem...

Queria um poema que falasse de ex-amores.
Queria que o poema significasse.
Sofro do terrível mal
de não conseguir dizer...
e muitas vezes
e muitas.
Muitas.
Grafito todos os muros.
Queria que o poema falasse por si
falasse por ele mesmo.
Queria não coagir o papel.
Queria apontar minhas canetas
e não desapontar.
Escrevo tudo o que sinto.
Escrevo como posso
como me parece.
Mas o silêncio
consegue significar
ainda mais.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mr. Button

Nosso curioso caso
é um irônico relógio
que se acha especial
mas tudo o que faz
é cumprir horário.
Estive pensando aqui
eu e meus botões.
- Ela não me intimida
tentando brincar de ciranda contigo.
Cheguei tarde nesta roda viva.
Fui te pegar nos braços
quando já tinham passado os 60.
Foram-se os botões
Mr. Button
e quase não te encontro.
Se passasse setembro
já não haveria um doce novembro.
Passamos juntos
tudo à limpo.
Agora
envelhecem nossos rascunhos.
Sou uma velha adolescente
com um bebê senil no colo.
Mas antes que tu partas
para a Terra do Nunca
que é o teu verdadeiro lugar.
Antes que tu partas
só me resta te pedir... Benjamin...
Beijaamim.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Horas corrosivas

A lágrima corrói lentamente o tempo.
Ponteiros inundam a sala.
Escrevo com tálio.
Embriaga-se com soda cáustica.
A bile circula no lugar do sangue.
Maldizes apenas o que amas.
Gostaria de ser
somente o que não és.
A demência toma conta do cinzeiro.
Empareda-se numa casa sem espelhos.
Esconde sua foto que se tornou apagada.
Velha e desdentada acusa o coração de senil.
Sente saudades do próprio útero.
Bate palmas sozinha.
Carrega uma morte nas costas
e sua falta de imagem na carteira.
Se importa com o que é dos outros
enquanto os outros
se preocupam apenas com o que é deles.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Atraso

As palavras não encontram solução nelas mesmas.
Mas insistem
e se botam no papel.
Os ossos dela serão despejados por falta de pagamento.
A carne de outra sofrerá ordem de despejo.
E despojada falo tudo isso
que se insurgi contra o papel.
Então despejo sobre ti este monte de palavras.
E todos os dias ao acordar
redijo uma carta de despejo
que alguém deixa de cumprir.
As palavras estão fartas de pagarem
um aluguel tão alto.
As palavras passaram a inadimplir.
Toda e qualquer palavra tua
necessita fiador.
Não sei porquê gasto papel com estas coisas.
Não sei.
Não sei.
Escrevo só de teimosa.
Escrevo só pra ganhar tempo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Dias de Sabbath

Um pássaro destroçado
voou para dentro da boca.
Penas repousam
embaixo da cama.
Baratas adornam
os cantos da casa.
Esbarro com meio corredor
no fim da lagartixa.
Cruzo por aranhas paraplégicas.
Todos os dias recebo presentes...
os mais diversos presentes.
Asas, patinhas, antenas, ferrões
compõem a mais fina tapeçaria
de que me posso orgulhar.
Sobrevoam a casa abelhas zangadas
e zangões que desistiram de serem abelhudos.
Borboletas com suas asas magoadas
enfeitam as cortinas
num abre-fecha incessante.
Não quero ser bruxa.
Mas o sétimo gato me visita todas as noites.
Mustafa é o seu nome!
Mustafa não quer me abandonar.
Vasculha coisas
me encontra na madrugada.
O gato número 7
me persegue.
Como todos os outros que atirei pedra
decidiu ele também
tomar conta do meu telhado de vidro.