terça-feira, 29 de novembro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Gira mundo


Há qualquer tempo
mesmo nos
consagrados ao relâmpago.
Há anos...
Amo o instante agora
que desafina
que desafia
que desalinha.
Vivo o limiar
do fio da navalha
da ponta da lança.
da lâmina do machado.
 Em tudo há amor retido.
Em cada entrelinha
em cada linha
em cada ponto.
No núcleo do átomo.
Corre
gira
e me levas...
E firma o ponteiro no segundo.
Então hora altos
hora baixos
na velocidade imprecisa
em que pensamos
que isso é estar vivo.
E te amo agora
porque tudo passa.
Não é sã a consciência 
é pura metafísica.
Amo porque é cósmico
não é de agora.
Agora
precisamente agora
onde até o ódio
é amor adoecido.
Quando calo...
todos me escutam.



  

Letras órfãs, palavras sem pai, nem mãe...

Os restos de amor
batem à porta
do judiciário.
Testemunha-se
o estridente deslinde
de uma noite de amor
que resultou em
investigação
de paternidade.
A criança violentada
atenta a discussão
não mais dos pais
mas dos teóricos.
Resultam pilhas
de papéis sem solução
os ligames adoecidos.

Pretende-se escrito
tudo que deveria
ser tácito.
O casamento
discute longamente
com sua natureza contratual
acabando em divórcio.
Peticionamos por socorro!
E o amor
 diante de sua infinitude...
resta apenas apaixonado
por uma lide.











Solitária Gota d'água


O macro compreende suas partes...
As partículas
- se desunidas -
 jamais entenderão
 o todo a que pertencem.

Nem tanto ao céu...

Assumo todas
 as minhas contradições
 como traços da minha
 mais absoluta
coerência.

sábado, 3 de setembro de 2011

Diga como se faz a festa!



                                                        
 À Mestre Obashanan

Pela primeira vez
num Lá
bem longe...
Surge Ayan em seu tambor de dormir.
Envolta por mistério profundo.
Dança ao toque de sua potestade.
Ouve-se a percussão da vida
e a música vira entidade.
É o ritual que inicia.
Nasce no mundo
o contágio por esta tal alegria.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Confidencial


Reconheço-me
 como uma senhora profana
mas te olho com ares de dama antiga
e me presto a enfeitar meus cabelos curtos
como se longos fossem
para te iludir quanto à época
em que estamos.
E confiro a ti uma intimidade
incompatível com o período
e me permito dizer
 com um tom de vergonha
o que uma mulher de respeito 
e casada jamais diria.
Entre sins e senãos
peço para que me encorages
e com vergonha
do meu colo nú
nas tuas mãos
falo
sem querer
terríveis absurdos
coisas impublicáveis
que somente uma paixão
 justifica. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Do mar o que não se doma


Senhora de todas as fontes
surge das minhas profundezas.
Pisa à beira-mar
onde dorme o meu descanso.
Mergulha no abismo profundo
onde sempre me canso.
Deusa dos arrecifes da costa
leva contigo a onda revolta
e faz o mar serenar.
Habita pra sempre
essa espuma fecundante.
Salve as quatro marés tuas!
Oh, grande mãe d’água!
No teu enxoval
navega o meu amor
e naufragam meus ódios.
Celebro no útero
a tua energia geradora.
Festejo no corpo
o teu eterno feminino.
Repousa mãe
na minha lagoa de dentro.
Vive no meu pequeno poço.
Guarda o meu manancial.
Governa essa minha ressaca.
Veste-me
com tuas algas.
Cobre-me
com o teu limo.
Ensina
esta ostra machucada
a ser pérola.
Avatar
d’água turva e suja
Mãe minha
cristalina e pura
Titãn
na confluência entre meus dois rios.
Odoiá
 linda sereia!
Canta dentro deste copo d’água
que aguarda sempre
a última gota.



domingo, 12 de junho de 2011

Em noite de demanda...


Vestidas ou nuas
vermelhas criaturas
dançam e se regozijam
e vibram e bailam
e riem e se divertem.

As nossas custas
em noites de magia
o inverno se derrete
e o vapor que solta
prende.

Em ritos assim
mulheres engravidam
e uivam ao desespero
e gritam e surtam
e incorporam divinas
sorridentes
fêmeas rubras.

E tudo ao redor
prende fogo...
travesseiros
guias
lençóis.
A cópula é templo
a cama congá.
As vulvas ardem.

E não se diz que ama
sem comprometer 
a memória pra sempre. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Travessia do rio de dentro

Entenda os recados...
É primavera no outro hemisfério.
Não estranhe os calores
 portanto.
A lua nos fazia crescentes
quando escorri pelos teus braços.
E olhando pra boca
te beijei os olhos
desfalecida.
Minh' alma deslocou
para que tua aura pudesse repousar
dentro de mim.
Viva amor
este é teu melhor momento.
Aplaude a luz
que se debruça sobre o espelho d'água
pra te ver me penetrar.
E a cândura chega
só pra espiar de perto.
Eu ali
sem mais
 nem menos
gozando no teu colo
estando muito bem vestida
mas pela primeira vez
completamente nua.