Entre sem se perder...

domingo, 27 de novembro de 2016

Setembro Amarelo

Queriam que ele fosse Agosto.
Depois virasse Outubro.
Ele só queria ser ele mesmo.
Com seus 30 dias.
Com seu equinócio.
E decidiu não virar.
Havia um enigma
que fez o ano
parar no meio.
Estacionou o inverno.
E as únicas flores
abriram no cemitério.
Maledicentes...
Línguas espalharam
que amarelou.
Havia nele uma solidão.
Dias que viraram
interrogações.
Havia a vontade
de não permitir
mais nascimentos.
Havia a vontade
de cortejar a morte -
à vontade.
Podia ter sido ajudado.
Qualquer outro mês
podia ter-lhe
emprestado sentido.
Mas nenhum deles
queria abrir mão
de seu lugar no folhetim.
Ninguém perdeu tempo.
Cada um que cuide de si!
Quando Setembro se foi...
Todos se deram
conta que faziam parte do

mesmo calendário.

Pombagira

Para parecer pragmática
Passe o próximo.
Para o próximo passo
Paciência porque preciso.
Protagonizo o personagem prazer.
Pare de projetar o passado
Precioso é o problema presente.
Por puro proveito próprio.
Pense na palavra possuir.
Poemas posso parir.
Portentosa puta provocante
Provo da própria possessão.
Penetro na premissa da paixão.
Para poder principiar
Precisa precisar.
Privilégio do prepotente.
Prerrogativa do promíscuo.
Pedirás piedade por perversidade.
Pacto teu pedido de perdão.
Posso prometer pureza.
Peço penetre a plenitude.
Pulse prudente pro prumo
Ponderando o poder pessoal.
Permita perseverar.
Para padecer de paz de pensar
Pratico povoar o pensamento.
Prossigo em prontidão
Para que pague a pena.
Pingarás o princípio precioso
Para o poema perder a pose.
Para poder prosseguir parceira

Para pacata, parar e pronto.

O Poeta de Aquário

Inconformado
voa livre...
às vezes, em declive.
Pássaro que passeia
sobre linhas...
tanto tuas
quanto minhas.
Caminha
tuas mal traçadas
pegadas
desapegadas.
Alguns não tem signo,
tu a semiótica.
O teu certo
é o incerto.
Tu soas destoante
nessa orquestra afinada.
Filho da desfilhação.
Á beira...
No abismo de si mesmo.
Meio branco,
meio negro,
meio índio...
Meio até confuso.
Confuso, não cafuzo.
Meio mameluco.
Não disse maluco!
Do teu insondável
mar de amar...
contêm peixes
no limite da transparência.
Eremita sedentário,
Arauto do diário.
Meio Tupi,
Meio Guarani...
Talvez Charrua...
É sempre inteiro,
sendo meio.
Quase um gentil zombeteiro.
Um grande arcano,
junto com o profissional do ano.
Um romântico ou ogro,
com uma pitada de Pinga Fogo.
Busca lá...
E não pára de rebusca.
Para muito,
muito além de ti...
Quando és tu, és multidão...
À beira, à beira...
E nunca hiberna,
apenas para ser Iberê.
Aquele que sonhando,

nunca dorme.

O Cravo brigou com a Rosa

Não foi embaixo de uma sacada.
Nem foi a melhor sacada.
O Cravo deveria comparecer...
Havia dia e hora marcados.
Bastava decorar a lapela do noivo...
Abandonou o noivo no altar.
O noivo despido do Cravo,
não sabia mais quem era.
E o amor também já era.
Achando que era Crisântemo
foi a um velório.
Depois achava que era Lírio
e só falava em Jesus.
Pensou que era Crista de Galo
e passou a fazer tolices...
regava outras flores.
A Rosa decidiu
cultivar espinhos.
Assim, preserva a beleza.
Naquela rua,
nasce um jardim
que só quem consegue
- ser mais de um -
pode ver.
Naquele endereço,
uma vez que outra,
não havia nenhum transtorno,
e até a Rosa esquecia
de todas as flores

que já tinha tentado ser antes.

sábado, 27 de agosto de 2016

Atormentado

  A TUA AÇÃO
A TUA DOR

Amnésia


Daqui onde estou

é linda a vista.

Aguardo o próximo

que me corteje.


Quanto a ti...

espero que durmas

ou que nem acordes.



Há uma brisa leve

que dança envolta.

Há uma beleza

que ninguém me tira.



Quanto a ti...

nada muda.

Idas e vindas

a próxima ilusão,

a próxima despedida,

a próxima.



Onde estou

Tudo faz sentido.

Há uma organização.

Há verdade.

Há sinceridade.



Quanto a ti...

Já nasceu enterrado.

Não há solução.

Só há falência.



Onde estou há poesia

Pode-se ver à cores.

E só se mergulha

em piscina de bolinhas.



Quanto a ti...

Segue teus passos.

Seja guiado

por tua sombra.

Morra abraçado

nos teus múltiplos egos.



Quanto a ti...

do que eu estava

falando mesmo?

Sinfonia sibilante em "s"

Surgem sutis serenatas...

Simplesmente saem seus sons.

Sereias serenam suas sirenes.

Simulam saberem segredos.

Secretam sangue, suor e seiva.

Solenes, sinceras, sorriem.

Simples, sozinhas, solitárias.

Soam sempre sua sina de sofrer.

Servem sem sins, sem senãos.

São só seus sentidos.

Sofrem só sendo silêncio.

Dando volta

Já é hora...

Viro páginas coladas.

Saem rabiscos hercúleos.

Nasce um poema

com cara de senil.

Palavras que sofrem 

das articulações...

Monossílabos que

tratam de dor.

E a vida recomeça

abortada.

No momento,

não me ocorre rima 

para a tal felicidade.

Tomé não era são

Sem sombra de dúvida,
a sombra vive na dúvida.

Vinda Bem, Bem-vinda...

Terminamos de gestar

um poema

sem hora pra acabar.

Escrita em meio ao nada...

Acabando no papel

a menina inacabada.

Que flores te cubram.

Que o leite da mãe

te perfume.

Nata da mais bela dona.

Que sendo leonina,

não seja mandona,

mas felina

ou um primor de menina?

Descubra cedo 

que todo o gato sorri...

Que todo o chapeleiro

é meio maluco...

Se depender do pai

entenderás o atraso

de todo o coelho.

Que a areia te explique

a imensidão.

E o cosmo a limitação.

Recém saída 

do País das Maravilhas.



Quem é você? 

Eu? Eu sou Alice...



Alice, pergunte-se:

Quem é você?