Entre sem se perder...

domingo, 27 de novembro de 2016

Já pro castigo...

De novo falando de amor?
De novo brincando com coisa perigosa?
Mas eu não te falei?

Vamos, já é hora!
Vamos...
Não me obriga a ir até aí...
Vamos...
Sai daí de cima!
Já é tarde.
Vamos...
Se eu falar de novo???????
Vamos...
Limpa a bagunça que tu fez!
Vamos...
Mas será o Benedito???????
Vamos...
Se eu tiver que ir até aí??????
Não vai prestar!
Tá, chega!
(...) me dá a mão.
Vamos, me dá a mão?
Eu carrego a cruz!
Entra pra dentro...
Agora fica aí...
Ressuscita.

Pensa bem no que tu fez...
Ah... e não foi teu pai quem te salvou.

Causa mortis


Não houve remissão.
Só relatos de recidiva.
O tempo escorre.
Inunda o bloco.
É a hemorragia dos minutos.
Os segundos jorram dos vasos.
Não há fator plaquetário.
Arritmia
Parada.
Choque.
Parada.
Cianose.
Nenhuma manobra.
Sem ressuscitação.
Sem reflexo.
Depressão profunda.
Estágio IV.
Midríase agônica.
Bem-vinda morte.
Fora do corpo.
Monitoro o monitor...
pra ter certeza.
Alodinia mata.
Na lápide
nada de letra de médico.
Escrevam apenas:
- Sempre fui legível.
Eu morta - hígida.

Tu vivo - co-morbidades.

Procura-se

Photo by Sarah Regis


Há sujeira no canto da página.
Há páginas que não viram.
Há escuridão nos dias.
Há ausência das horas.
Há abandono não calculado.
Há um pedido de castidade.
Há impossibilidade de levantar.
Há um artefato de lâmina.
Há debris sanguíneos.
Há apego ao detalhe.
Há um porém, uma vírgula.
Há um vazio que cerca.
Há imensidão na falta.
Há silêncio que soterra.
Há tortura em toda a memória.
Perdendo-se,

se procura.

Amem

Oração aos Animais
(Pela voz de seus protetores na terra)

Permita Senhor,
que Francisco
se presentifique
nesta seara de luz.
Permita Senhor,
que as minhas mãos
de médico de animais
sejam guiadas
e que do meu coração
irradie a humildade
necessária para que eu seja
apenas instrumento.
Que sendo medianeiro,
eu me compadeça sempre
do sofrimento e da dor
de qualquer espécie
e lute pela vida,
como se fosse a minha.
Que sendo teu
verdadeiro filho,
eu jamais me porte
como um especista.
Que os animais,
sendo sencientes
e parte da grande obra
sejam tratados
por mim
e por todos,
ao meu entorno,
condignamente.
Permita Senhor,
que o animal humilhado,
receba das mãos
dos homens,
água, comida,
abrigo e amor.
Permita Senhor,
através de teus sinais
que nenhum interesse
possa ser superior
ao bem-estar de um animal.
Ó Mestre
Que o mundo um dia
possa dar mais valor
ao amor manifesto
do que aos juramentos acadêmicos.
Permita Senhor,
que eu não me desvie.
Que eu não faça
da minha vocação
um balcão de negócios.
Permita Senhor,
que eu não banalize
a morte de um animal
tampouco naturalize
sua escravidão
ou condutas desumanas.
Senhor,
fazei de mim um instrumento
não só da medicina,
mas do direito dos animais.
Permita Senhor,
que todos os veterinários
um dia,
possam entoar esta oração.
Senhor,
conduz a natureza humana
para o entendimento
de que somos todos iguais.
Pai,
protege neste instante
e nesta hora sagrada
os animais que estão sendo
usufruídos e espoliados,
de qualquer forma.
Perdoa Senhor,
o nosso atraso
e as injúrias que produzimos
contra a tua portentosa obra.
Perdoa Senhor,
o não entendimento do teu
maior mandamento:
“Não matarás!”
Senhor,
meu deus,
Fazei de mim,
médico de animais,
o grande propagador
do verdadeiro significado de
amem!


Amém

Setembro Amarelo

Queriam que ele fosse Agosto.
Depois virasse Outubro.
Ele só queria ser ele mesmo.
Com seus 30 dias.
Com seu equinócio.
E decidiu não virar.
Havia um enigma
que fez o ano
parar no meio.
Estacionou o inverno.
E as únicas flores
abriram no cemitério.
Maledicentes...
Línguas espalharam
que amarelou.
Havia nele uma solidão.
Dias que viraram
interrogações.
Havia a vontade
de não permitir
mais nascimentos.
Havia a vontade
de cortejar a morte -
à vontade.
Podia ter sido ajudado.
Qualquer outro mês
podia ter-lhe
emprestado sentido.
Mas nenhum deles
queria abrir mão
de seu lugar no folhetim.
Ninguém perdeu tempo.
Cada um que cuide de si!
Quando Setembro se foi...
Todos se deram
conta que faziam parte do

mesmo calendário.

Pombagira

Para parecer pragmática
Passe o próximo.
Para o próximo passo
Paciência porque preciso.
Protagonizo o personagem prazer.
Pare de projetar o passado
Precioso é o problema presente.
Por puro proveito próprio.
Pense na palavra possuir.
Poemas posso parir.
Portentosa puta provocante
Provo da própria possessão.
Penetro na premissa da paixão.
Para poder principiar
Precisa precisar.
Privilégio do prepotente.
Prerrogativa do promíscuo.
Pedirás piedade por perversidade.
Pacto teu pedido de perdão.
Posso prometer pureza.
Peço penetre a plenitude.
Pulse prudente pro prumo
Ponderando o poder pessoal.
Permita perseverar.
Para padecer de paz de pensar
Pratico povoar o pensamento.
Prossigo em prontidão
Para que pague a pena.
Pingarás o princípio precioso
Para o poema perder a pose.
Para poder prosseguir parceira

Para pacata, parar e pronto.

O Poeta de Aquário

Inconformado
voa livre...
às vezes, em declive.
Pássaro que passeia
sobre linhas...
tanto tuas
quanto minhas.
Caminha
tuas mal traçadas
pegadas
desapegadas.
Alguns não tem signo,
tu a semiótica.
O teu certo
é o incerto.
Tu soas destoante
nessa orquestra afinada.
Filho da desfilhação.
Á beira...
No abismo de si mesmo.
Meio branco,
meio negro,
meio índio...
Meio até confuso.
Confuso, não cafuzo.
Meio mameluco.
Não disse maluco!
Do teu insondável
mar de amar...
contêm peixes
no limite da transparência.
Eremita sedentário,
Arauto do diário.
Meio Tupi,
Meio Guarani...
Talvez Charrua...
É sempre inteiro,
sendo meio.
Quase um gentil zombeteiro.
Um grande arcano,
junto com o profissional do ano.
Um romântico ou ogro,
com uma pitada de Pinga Fogo.
Busca lá...
E não pára de rebusca.
Para muito,
muito além de ti...
Quando és tu, és multidão...
À beira, à beira...
E nunca hiberna,
apenas para ser Iberê.
Aquele que sonhando,

nunca dorme.

O Cravo brigou com a Rosa

Não foi embaixo de uma sacada.
Nem foi a melhor sacada.
O Cravo deveria comparecer...
Havia dia e hora marcados.
Bastava decorar a lapela do noivo...
Abandonou o noivo no altar.
O noivo despido do Cravo,
não sabia mais quem era.
E o amor também já era.
Achando que era Crisântemo
foi a um velório.
Depois achava que era Lírio
e só falava em Jesus.
Pensou que era Crista de Galo
e passou a fazer tolices...
regava outras flores.
A Rosa decidiu
cultivar espinhos.
Assim, preserva a beleza.
Naquela rua,
nasce um jardim
que só quem consegue
- ser mais de um -
pode ver.
Naquele endereço,
uma vez que outra,
não havia nenhum transtorno,
e até a Rosa esquecia
de todas as flores

que já tinha tentado ser antes.

sábado, 27 de agosto de 2016

Atormentado

  A TUA AÇÃO
A TUA DOR

Amnésia


Daqui onde estou

é linda a vista.

Aguardo o próximo

que me corteje.


Quanto a ti...

espero que durmas

ou que nem acordes.



Há uma brisa leve

que dança envolta.

Há uma beleza

que ninguém me tira.



Quanto a ti...

nada muda.

Idas e vindas

a próxima ilusão,

a próxima despedida,

a próxima.



Onde estou

Tudo faz sentido.

Há uma organização.

Há verdade.

Há sinceridade.



Quanto a ti...

Já nasceu enterrado.

Não há solução.

Só há falência.



Onde estou há poesia

Pode-se ver à cores.

E só se mergulha

em piscina de bolinhas.



Quanto a ti...

Segue teus passos.

Seja guiado

por tua sombra.

Morra abraçado

nos teus múltiplos egos.



Quanto a ti...

do que eu estava

falando mesmo?