Quero se Laura
Como uma viagem sem retorno.
Queria ser ela.
Pra te arrancar um sorriso.
Queria ser Laura.
Pra que tu...
irremediavelmente feliz.
Eu queria...
Eu queria ser Laura...
Com toda a sua aura
Eu queria...
ser a menina dos teus olhos.
Eu queria ser Laura...
Apenas pra que tu
acordasse pai.
Apenas pra que tu
esta manhã...
Eu queria ter olhos de sorrir.
Queria ser Laura.
E o mundo era perfeito.
Se houvesse uma flor
que abrigasse o perfume dela
eu me faria essência...
Queria ser Laura
pra que tu...
se encontrasse contigo.
Como sou afeita
a certos mistérios...
poderia fazer surgir uma Lara...
mas ainda assim,
uma única letra...
faria diferença pelo resto da vida.
sábado, 9 de julho de 2016
Maio, 15
O Príncipe de Vidro
Histórias frágeis
trincam qualquer coisa.
Rompe fora.
É quebra adentro.
O imperador reina
atrás da vidraça.
Aguarda pedra,
aguenta perda.
Ama transparência.
Há uma inflexibilidade
no que é translúcido.
Átomos se divorciam.
O amor junta pedaços.
Quem arrasta o ato...
resta caco.
O regente reúne-se
com seus estilhaços.
A menor partícula
faz sangrar.
Imagens de vidro
precisam de base.
O equilíbrio do cálice
é a haste.
O sonho do cristal
é suportar grito.
Pra isso...
alguns nascem temperados.
O ar
é o que mantém o fogo.
Até a chama respira.
Volte a sílica.
Nasce da tua
menor unidade.
De grão em grão...
há outros pontos de fusão.
Vem pra onde a terra
encontra o tapete do mar.
Cansado de conter...
serás contido.
Nada em ti se degrada.
Quem governa
precisa ser reciclável.
No fundo,
bem no fundo...
é só decidir...
se preferes ser sólido
ou duro.
Bailam as máscaras
Toda a música
Todo o canto sem nota.
silêncio.
Na mente
o vazio.Toda a dança
imobilidade.
Todo o policiamento
abandono.
Todo o histrionismo
timidez.
Toda a roupa
nudez.
És o único autorizado
- por lei -
a me despir.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Amor à milésima vista
A década escorreu pelos dez dedos
das mãos que já eram tuas.
Perdão, mas...
A obviedade não perfaz o mistério.
Celebramos casamentos necessários,
funerais previsíveis.
À primeira vista nos enganamos,
e a segunda e a terceira...
Talvez tenhas olhado demais os meus pés
e visto pouco os meus olhos?
Não fomos honestos conosco,
mas também não fomos sinceros
com os outros...
Frente à frente
nos assustamos
com a própria imagem refletida.
Fugimos de nós mesmos.
Consagramos a ilusão,
o encontro sempre vestido para sair.
À deriva, nunca importa a direção.
Naufragamos em nossas próprias dúvidas...
As interrogações borraram o mapa,
cansaram a bússola.
Não se questiona
uma exclamação no peito
e um ponto final para o alento das pernas.
Mil vezes precisei te ver,
me ver, mil vezes, tu precisaste.
As cortinas se fecham...
O universo se recolhe
da odisseia que foi
nos fazer reconhecer.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Cigana
O vento que te aplaude
é minha brisa que insiste.
Só ao mar é permitido
brincar de ir e vir.
O cio de todas as fêmeas nos dá licença
pra que eu seja tua única crença.
Sou o encontro,
no entrecruzamento do ponto.
Chego quando nada basta.
Danço só quando me inundas.
Afino tuas cordas com as do universo.
Sou o fogo permanente.
Sou tua ideia recorrente.
Na barra da minha saia
nasce o teu jardim...
Ao afastar a relva
encontrarás tua única saída.
Percorre todas as linhas
te acidenta em todas as curvas.
Só aqueles que não dormem
sabem o que é sonhar.
O verbo é quem propaga o destino
sem vontade de mudar.
Sandrarosa é o amor
que
insiste me desposar.
Ladainha
Querendo oceano,
seca o choro.
Querendo colo,
resta no útero.
Querendo água,
bebe o líquido.
Querendo paz,
gera tumulto.
Querendo leito,
te dou meu riso.
Querendo beijo,
te abro os olhos.
Querendo fuga,
te guardo dentro.
Querendo areia,
te encastelo.
Querendo todas,
inventou una.
Querendo morte,
guardo tua vida.
Querendo doar,
me engravida.
Querendo a noite,
só dou a luz.
Toda a oferenda,
amar devolve.
Dona 7
Faço a fama,
deito logo na cama.
Mergulho no tolo.
De lodo,
limpo teu olho.
Chafurdo na lama.
Amo quem odeia,
odeio quem engana.
Sou mistério, arcano...
de olhar, não me engano.
Sou desejo, desidério,
sou o portal do cemitério.
Não sou uma,
sou muitas senhoras,
senhora - de todas as horas.
Vago pelo campo-santo
Puno com o meu manto.
Sou tuas horas amadas.
Sou sete cruzes sagradas.
Sou sete cruzes ilhadas.
Senhora das encruzilhadas.
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