Entre sem se perder...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Arco da minha íris


Sem nunca ter ido,
tu voltas... 
reconduzido pelo tempo.
A prodigalidade
te conduz pelas mãos,
te cura os joelhos,
te curva a cabeça.
A viração apresenta
o amor infindável
que retorna esta noite.
Repousa sobre mim,
uma de tuas asas, 
a me guardar da chuva
que afogou meus pés.
Daqui a pouco mais,
volto montada no vento,
desdobrada.
O amanhecer
anuncia que não é sonho.
Depois de toda a tempestade,
sempre recolho
 o teu amor pra dentro,
todo molhado...
E nos dias que se seguem,
não paramos de gotejar.

domingo, 15 de setembro de 2013

Muitos serão chamados...


Pra baixo,
podemos arrastar qualquer um...
Pra cima,
apenas os escolhidos.

Embaraçada


Tenho tanta preocupação com o meu filho;
que não quero nem que ele nasça.

Descendo do pedestal



Respondo com raiva
a desnecessidade de ter que dizer...
Nem musa,
nem deusa, 
nem sagrada.
Sou carne, osso,
sangue, suor;
todas as secreções possíveis,
a imensa fantasia
de achar que me pertences,
a ânsia infinita
de que apenas me faças mulher
novamente.
E isso,
não tem nada de esotérico
... ou tem? 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Una


Cala-me...
Com tua boca
a boca não abro.
Há umas várias...
Todas gastas.
Todas castas.
Que tu de flores.
Que tu deflores.

Alquimia


O vento enxuga
o pranto sem fim das videiras,
que emocionadas, foram escolhidas
para dar de beber a todos
o melhor do espírito.

domingo, 8 de setembro de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

O Martelo

( Homenagem a inegável coragem de ensinar da Professora Neiva Farina)


Quem és tu mulher?
Que fala o que pensa;
que expressa o que sente;
que ousa ensinar e
que pratica mancias?

Santo ofício é o nosso!

Quem és mulher insurreta?
A própria escola;
o aprendizado oculto;
a doutrina secreta,
ou o próprio princípio?

Como ousas inquirir nossos filhos?

Quem és fêmea subversiva?
Que adora plantas e animais,
que não reverencia o nosso Deus.
Quem és canhota, sinistra,
esquerda, criatura vermelha? 

Condeno-a a censura inapelável;
Condeno-a a privação dos sacramentos;
Condeno-a a excomunhão eterna.

Pare de nos torturar mulher e confesse;
porque do teu corpo
não sobrarão os dentes.

Como podem te tomar por santa,
se propagas a nudez
e a queda dos véus?

Deita-te sobre o nosso braço secular
e repousa tuas ideias
na fogueira dos hereges.

Queimem-na por tomar banho,
por pronunciar tais palavras,
e por além de afronta,
pretender fazer escola.

Junto ao teu corpo pecador
destruam este livro maldito.
Condenem o autor, o editor,
os leitores.

Derradeiro, condenem sem dó,
todos os seus aprendizes,
para que ninguém mais
 siga sabendo.

domingo, 28 de julho de 2013

Entrando numas...


Desloquei a patela
 rodopiando na rótula.
(...) me deram muita corda.
Danço finita,
 numa noite ruiva, interminável.
Fui despejada da caixinha de música.
Por um momento,
perdi o sapato e a paciência.
Sobe pelas minhas tranças 
e me salva da torre de pizza.
Paguei o taxista com analgésicos.
Queria que a dor fosse de cabeça.
Não se mente quando se interpreta.
Eu acho que acreditava.
Os postes estavam afinados conosco,
por isso amarelamos.
Paralelepípedos assistiram imóveis
ao nosso amor inquieto.
A casa 63 pede novos donos.
Enquanto não formos nós,
ninguém será feliz lá dentro.
É só me dar palco
que dispenso o camarim.
É que não uso maquiagem. 
Amadeus estava sempre fechado.
E ele, não era o único.
Não vi a placa de pare
no fim do cruzamento.
Há um Buda que ri e outro que chora.
Não há quase vida neste lugar,
então permaneço aqui plantada.
Underground demais pra ser romântico.
Solta os freios... 
Pra cima é que não se tem ajuda.
Não encontrando o caminho
tenta vir pelo teto.
Enquanto não chegavas,
mudei tantas vezes de lugar.
Jamais teria entrado nesta rua,
se soubesse que restaria pra sempre, 
sem  saída.