Entre sem se perder...

domingo, 15 de setembro de 2013

Muitos serão chamados...


Pra baixo,
podemos arrastar qualquer um...
Pra cima,
apenas os escolhidos.

Embaraçada


Tenho tanta preocupação com o meu filho;
que não quero nem que ele nasça.

Descendo do pedestal



Respondo com raiva
a desnecessidade de ter que dizer...
Nem musa,
nem deusa, 
nem sagrada.
Sou carne, osso,
sangue, suor;
todas as secreções possíveis,
a imensa fantasia
de achar que me pertences,
a ânsia infinita
de que apenas me faças mulher
novamente.
E isso,
não tem nada de esotérico
... ou tem? 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Una


Cala-me...
Com tua boca
a boca não abro.
Há umas várias...
Todas gastas.
Todas castas.
Que tu de flores.
Que tu deflores.

Alquimia


O vento enxuga
o pranto sem fim das videiras,
que emocionadas, foram escolhidas
para dar de beber a todos
o melhor do espírito.

domingo, 8 de setembro de 2013

domingo, 11 de agosto de 2013

O Martelo

( Homenagem a inegável coragem de ensinar da Professora Neiva Farina)


Quem és tu mulher?
Que fala o que pensa;
que expressa o que sente;
que ousa ensinar e
que pratica mancias?

Santo ofício é o nosso!

Quem és mulher insurreta?
A própria escola;
o aprendizado oculto;
a doutrina secreta,
ou o próprio princípio?

Como ousas inquirir nossos filhos?

Quem és fêmea subversiva?
Que adora plantas e animais,
que não reverencia o nosso Deus.
Quem és canhota, sinistra,
esquerda, criatura vermelha? 

Condeno-a a censura inapelável;
Condeno-a a privação dos sacramentos;
Condeno-a a excomunhão eterna.

Pare de nos torturar mulher e confesse;
porque do teu corpo
não sobrarão os dentes.

Como podem te tomar por santa,
se propagas a nudez
e a queda dos véus?

Deita-te sobre o nosso braço secular
e repousa tuas ideias
na fogueira dos hereges.

Queimem-na por tomar banho,
por pronunciar tais palavras,
e por além de afronta,
pretender fazer escola.

Junto ao teu corpo pecador
destruam este livro maldito.
Condenem o autor, o editor,
os leitores.

Derradeiro, condenem sem dó,
todos os seus aprendizes,
para que ninguém mais
 siga sabendo.

domingo, 28 de julho de 2013

Entrando numas...


Desloquei a patela
 rodopiando na rótula.
(...) me deram muita corda.
Danço finita,
 numa noite ruiva, interminável.
Fui despejada da caixinha de música.
Por um momento,
perdi o sapato e a paciência.
Sobe pelas minhas tranças 
e me salva da torre de pizza.
Paguei o taxista com analgésicos.
Queria que a dor fosse de cabeça.
Não se mente quando se interpreta.
Eu acho que acreditava.
Os postes estavam afinados conosco,
por isso amarelamos.
Paralelepípedos assistiram imóveis
ao nosso amor inquieto.
A casa 63 pede novos donos.
Enquanto não formos nós,
ninguém será feliz lá dentro.
É só me dar palco
que dispenso o camarim.
É que não uso maquiagem. 
Amadeus estava sempre fechado.
E ele, não era o único.
Não vi a placa de pare
no fim do cruzamento.
Há um Buda que ri e outro que chora.
Não há quase vida neste lugar,
então permaneço aqui plantada.
Underground demais pra ser romântico.
Solta os freios... 
Pra cima é que não se tem ajuda.
Não encontrando o caminho
tenta vir pelo teto.
Enquanto não chegavas,
mudei tantas vezes de lugar.
Jamais teria entrado nesta rua,
se soubesse que restaria pra sempre, 
sem  saída.