Entre sem se perder...

sábado, 1 de outubro de 2011

sábado, 3 de setembro de 2011

Diga como se faz a festa!



                                                       
 À Mestre Obashanan

Pela primeira vez
num Lá
bem longe...
Surge Ayan em seu tambor de dormir.
Envolta por mistério profundo.
Dança ao toque de sua potestade.
Ouve-se a percussão da vida
e a música vira entidade.
É o ritual que inicia.
Nasce no mundo
o contágio por esta tal alegria.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Confidencial


Reconheço-me
 como uma senhora profana
mas te olho com ares de dama antiga
e me presto a enfeitar meus cabelos curtos
como se longos fossem
para te iludir quanto à época
em que estamos.
E confiro a ti uma intimidade
incompatível com o período
e me permito dizer
 com um tom de vergonha
o que uma mulher de respeito 
e casada jamais diria.
Entre sins e senãos
peço para que me encorages
e com vergonha
do meu colo nú
nas tuas mãos
falo
sem querer
terríveis absurdos
coisas impublicáveis
que somente uma paixão
 justifica. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Do mar o que não se doma


Senhora de todas as fontes
surge das minhas profundezas.
Pisa à beira-mar
onde dorme o meu descanso.
Mergulha no abismo profundo
onde sempre me canso.
Deusa dos arrecifes da costa
leva contigo a onda revolta
e faz o mar serenar.
Habita pra sempre
essa espuma fecundante.
Salve as quatro marés tuas!
Oh, grande mãe d’água!
No teu enxoval
navega o meu amor
e naufragam meus ódios.
Celebro no útero
a tua energia geradora.
Festejo no corpo
o teu eterno feminino.
Repousa mãe
na minha lagoa de dentro.
Vive no meu pequeno poço.
Guarda o meu manancial.
Governa essa minha ressaca.
Veste-me
com tuas algas.
Cobre-me
com o teu limo.
Ensina
esta ostra machucada
a ser pérola.
Avatar
d’água turva e suja
Mãe minha
cristalina e pura
Titãn
na confluência entre meus dois rios.
Odoiá
 linda sereia!
Canta dentro deste copo d’água
que aguarda sempre

domingo, 12 de junho de 2011

Em noite de demanda...


Vestidas ou nuas
vermelhas criaturas
dançam e se regozijam
e vibram e bailam
e riem e se divertem.

As nossas custas
em noites de magia
o inverno se derrete
e o vapor que solta
prende.

Em ritos assim
mulheres engravidam
e uivam ao desespero
e gritam e surtam
e incorporam divinas
sorridentes
fêmeas rubras.

E tudo ao redor
prende fogo...
travesseiros
guias
lençóis.
A cópula é templo
a cama congá.
As vulvas ardem.

E não se diz que ama
sem comprometer 
a memória pra sempre. 

terça-feira, 12 de abril de 2011

Travessia do rio de dentro

Entenda os recados...
É primavera no outro hemisfério.
Não estranhe os calores
 portanto.
A lua nos fazia crescentes
quando escorri pelos teus braços.
E olhando pra boca
te beijei os olhos
desfalecida.
Minh' alma deslocou
para que tua aura pudesse repousar
dentro de mim.
Viva amor
este é teu melhor momento.
Aplaude a luz
que se debruça sobre o espelho d'água
pra te ver me penetrar.
E a cândura chega
só pra espiar de perto.
Eu ali
sem mais
 nem menos
gozando no teu colo
estando muito bem vestida
mas pela primeira vez
completamente nua. 

domingo, 10 de abril de 2011

Perfume de Magnólia


Alma minha...

também sinto o inalar
das horas que se vão...
das horas poucas
que me esgotam.
Mandam avisar
das madrugadas nossas
recobertas de pólvora.
Não foi uma
nem duas...
ao soltar tuas mãos
gotejam os dedos.

Meu senhor...
amo-te inexplicavelmente.
Então, a morte
me seria prazerosa
se fosse tu

a me conduzir por ela.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Antes do Começo


Hoje
perderei o sono.
Hoje
perdi nosso primeiro filho.
Meu útero chorava nossa perda.
Hoje
perdi uma parcela de nós.
Hoje
perdi o que podíamos ter sido.
Hoje
perdi uma chance.
Hoje
se foi a primeira chance
 que nos deram.
Hoje
nos perdemos um do outro
 pela primeira vez.
Hoje
me inunda este mar de despojos.
Hoje
perdi minha real utilidade.
Hoje
por minutos
merecia estar morta.
Hoje
todas as chances do mundo
parecem poucas.


Não costumo chorar em velórios
quando todas as chances vão embora mesmo.

Costumo sofrer quando alguém nasce.

Por isso não entendo o porquê
não consigo estar feliz.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Yasodhara


Mostra
ensina.
 Até que eu saiba.
Até me exaurir.
Nutre meu ego com a languidez
dos teus pequenos olhos
de olhar pra dentro.
Beija
e violenta.
Assalta
e toma à força.
Enfeita-me para a morte
que te embelezarei para a vida.
Envelopa minha carne
com cores do invisível.
Entoa meu canto
com as notas do inaudível.
Casa comigo todos os dias
e sempre
e sem cerimônia. 
Despeja tua semente
nas minhas águas
 que nunca param.
Nadarei ao infinito
(...)
em direção
 ao Deus que te tornarás.  
Ele dava um dedo para não entrar numa briga.
Comigo acabou sem as mãos.