Entre sem se perder...

sábado, 13 de setembro de 2008

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2008
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Último aviso


Queria poder não te amar.
Qualquer coisa que explico sobre ti
me detesto.
Revirei tuas coisas.
Encontrei entradas e mais entradas
- tu não tem saída!
Acendi uma vela por ti.
Estou particularmente feliz.
O filme que passa
conta a história
de um poeta assassinado
morto duas vezes.
Uma parece que foi suicídio.
É 20 de março.
Queria nascer de novo.
Perdi o que estava dizendo...
Nada se resolve por decreto.
Desiste da Marina.
Ela nunca vai te amar.
- tu não tem saída.
Acho que estou me repetindo.
Acho que eu também não tenho...
Vou mandar a tua mãe às favas.
E nada de dedicatórias à Carolina.
Chega.
Prefiro te ver num filme pornô
a ler tuas cartas de amor.
Já disse
chega!

Nau

Tem um esqueleto de homem
pelo pescoço pendurado.
Canoa furada
afundada
fantasticamente infundada.
Meu tesouro
meus mapas...
um destino em garrafa.
Inexplicavelmente passageira
lá gosto
lagarteio à luz da florescente.
Em meio ao nevoeiro
inexisto.
Só me permito o ilimitado
de meu aquário.







À Deus


O tema de casa se debruça
sobre o que eu era.
No rabisco
árvores de copas carregadinhas.
Meu sol não era só
vinha acompanhado pela obviedade
de duas delas.
Freqüentemente vou pro balanço
mas equilibro...
Que prazer brincar com o ar
mesmo sabendo que ali descendo
nos obrigam a usar sapatos.
Mas já não basta estar pisando no chão?
Agora ando descalça o tempo todo.
Mas se eu subir
agora
a esta altura
sempre haverá alguém
dizendo não pode.
A janta está pronta.
As crianças correm...
Então entendo.
Educamos todos
para que abandonem o balanço...
Por isso não largo as cordas.


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O poeta é

 aquele que toma emprestada a roupa velha do outro

 entra na festa ostentando traje novo

 sem ter sido convidado.

 


O que eu sou não vem 
e o sono também.

Devolução

No frágil papel

deixo o meu papel frágil

que a vida me deu

e a poesia nunca esqueceu.

INAPTA



Promovo uma escrita armada.
Aliada atriz incapaz de simular.
Só policio o que intenta a caneta.
Filha que casou com o pai.
Mãe do próprio marido.
Beijo oito focinhos por dia.
Quando em português pareço grego.
Há muito me abandonou o microfone.
Explode todos os dias um amigo.
Adversos encaminham os proclames.
O plantão mora lá em casa.
Abro a porta e encerro.
É madrugada que me acorda pra passear.
Não pretendo nome de rua.
Ando só de boca em boca.
Sempre que furiosa sou lúcida.
Quando sensata pareço louca.

sábado, 6 de setembro de 2008

Parada


Entrou mais alguém.

 Além de mim

 mais alguém

 e mais alguém

 e mais

 e mais...

 até não poder entrar ninguém.

 

 Nunca achei que teria tanto espaço. 

Tapete Vermelho

A tarde passou um filme de despedida.

Minha mãe dormia

cansada de ser mulher.

Chorei a sessão inteira

por me machucar sozinha.