
Voltei e lá estava...
o parapeito baixo da janela
a jardineira embaixo da janela.
E embaixo da janela
eu.
Olhava admirada a altura do prédios
e é claro
o porto.
Os prédios cresceram ainda mais
enquanto o cais permaneceu ali
no mesmo lugar
esperando que eu voltasse.
Cheguei nesta tarde e nada mudou.
Meus olhos descascaram
e as paredes choravam o mês de julho.
Depois de vinte anos
passaram um a um os anos.
Imaginava antigamente como seria
se a janela decidisse cair comigo.
Tudo teria acabado bem antes dos vinte anos passarem.
Mas os vinte anos passaram
e estamos eu e a janela de volta
uma diante da outra.
Depois de vinte anos
ainda vivendo o mesmo dilema.








