Entre sem se perder...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Tema


O que lhe dá medo?
A minha falta de medo.

Madonna



Ela - Dona Silvia -

não é dona dela.

Mandona


Má dona

Sobre mesa

De entrada pão.
Reparti o pão.
Contei histórias de trigais.
De olhai os lírios...
No campo...
te dei de beber.
Vinho da melhor pipa.
Vinho tinto
pra que pudesse escrever.
O mais puro leite servi.
Ofereci algo leve.
Aumentei
porções de poções.
Te levaria pro caldeirão...
Nesse cadinho de fogo
que alimento...
Quando te vi enjoado,
indisposto, congesto.
Só queria que tu comesse.
Só queria te alimentar.
Não importa que tu foste.
A comida continua quente.
Em cima da mesa...
Haverá de haver

alguém com mais fome.

Gira, gira, girafa...

Carrossel
descontrolado...
Maior a queda
Maior o salto...
Menor és solto.
Fale com alguém
a tua altura.
E um lembrete:
Ungulado não tem unha.
Tente uma escada...
em caso de emergência.
Tente namorar a lua
É a única que
além de nua é crua.
És camelo, leopardo
ou uma mistura?
Pobre bipolar criatura!
Tropismo pelo egoísmo?
Incline o pescoço...
Lembre: o teu coração
é o maior do reino.

Do chão, ele te ergue.

Peso Pena


Quando voltares,


terei pena...


- O que queres que leve?



- Leveza.

Sem páginas...



(...) deveríamos ter acesso ao fim das histórias,

assim, escolheríamos abrir ou não o livro.

Pavão Misterioso

Amanhã
serás espanador...
Espalha dor
amanhã serás.
Cante para
o chuveiro.
Cante para
o espelho.
Cante para
que tu aplaudas.
Minta ao microfone.
Atue no oco
auditório do teu peito.
Apego aos próprios
apegos próprios.
Faça parte dos
Ególatras Conhecidos.
Eles não tem associação
e não seriam anônimos.
Turista preocupado
não goza a viagem.
Não goza da aventura
de viver o outro.
Só...

se masturba.

Desafogada


Há um oceano
de felicidade.
Só batiza
quem merece.
A tristeza
não é febre alta.
É doença crônica.
Dirão...
crias algo do nada.
Mas é o tudo
que invade.
Sozinho serás
menos infeliz.
Tua raiva
solidão.
Tua solidão
ocupação.
Veja o vazio.
Teus ossos
não dormem.
Fósseis esquecidos.
O esqueleto decora
histórias submersas.
Ninguém mais
é especial.
Todas iguais.
Tentando te salvar
dos teus crimes...
tu voltas a matar.

domingo, 27 de novembro de 2016

Nunca fui flor...

A insônia cantará
lindas canções de ninar.
Não pregue olhos.
Não pague contas.
Pendure as chuteiras.
Pendure-se.
Não conte ovelhas.
Enumere remorsos.
Arraste-se...
Sente-se à beira da vida.
Joelhos sem fôlego.
Discurso mudo.
Silêncio balbuciante.
Sem pulso
Morto-vivo.
O sino tocará
para acompanhar
teu lento suicídio.
Tens escolha:

Sonâmbulo ou dopado?

Tranca

Há uma chama
lampejo de ideia.
Há o sino da igreja.
Cintila na calada
teu espectro falido.
Faísca uma memória.
Teu caixão aberto.
A inadmissibilidade.
Nasce a morte.
Surge o gosto
pela escuridão.
E o catre te abraça.
O colchão aprisiona.
A ansiedade brinca de
"tenha calma".
Dança a depressão
das horas arrastadas.
Faça planos...

E serão destruídos.