Entre sem se perder...

domingo, 9 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Armadura


A fresta espreita o seu mundo
de guerras equivocadas,
 ilusórias.
Sem rumo,
ele marcha,
com saudades
 da própria solidão.
O rancor pesa,
 entalhado no aço.
O cavaleiro digladia-se.
O herói carrega Atlas nas costas
e sua falta de fé no bolso.
Não há honra maior
do que ser vencido pelo amor.
E pra isso a vestimenta
é apenas um peito nu.
Toda a donzela
só precisa de um lenço.
Será o sinal
para iniciar a travessia
do seu estreito canal 
e te fazer nascer de novo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Descrença



Sou a espera, a calma.
Há uma mansidão 
nessa minha inquietude.
O que trago, veio comigo.
Abriste mão de mim
por isso, me levaram.
Não sabias quem eu era?
E não sabes ainda 
o que fazer comigo?
Todas estão contidas em mim.
E este poder é feminino.  
De lembrar, agora mesmo,
desprende...
Eu dancei na tua frente,
nua e prateada.
Tu não me viu.
Tu também não acreditavas 
e aumentaste o coro dos incrédulos.
Sou aquela cercada de animais
por toda a volta.
Ao pronunciar meu nome,
ouvirás um hino em teu louvor.
Cala-me pra sempre
porque só a ti é permitido.
Se a beleza te confunde,
fecha os olhos
e fica só com o meu espírito.
Toma-me em teus braços,
uma única vez,
e recordarás que todo o meu corpo
é pura oração. 

domingo, 12 de maio de 2013

Renúncia






Sou o mistério que se desvela.
Sou este misto, este vulto.
Parto pra nunca mais.
Matriarca e tu não entendes.
Não importam minhas sementes.
Não queres linhagem...
Cultuar todas as bandeiras do mundo
te fará despatriado.
A ti importa um amor a cada guerra. 
Eu, no entanto, devo ir...
porque se fizeres amor comigo,
uma vez mais, 
morrerei em teus braços.
Estou prestes a me ver refletida. 
Estamos próximos de desvendar
o mistério da crucificação.
Todos os magos sabem quem sou.
Sou aquela que tendo o poder, 
o maior de todos os poderes, 
abdico, por amor,
apenas para ser como tu és,
um mísero mortal.

sábado, 11 de maio de 2013

Chegada a hora...

 (Para Maria Fernanda Serpa, em 11 de maio de 2013)


Quando alguém morre...
um minuto do nada é concedido.
Tudo pára, tudo suspende.
Cada passagem dispensa um instante.
Ninguém de nós sente, ninguém de nós percebe.
É o tempo dentro do tempo.
É a relatividade das dimensões.
Naquele instante de suspensão,
Ele,
em sua infinita magnitude,
homenageia a todos que partem
com um minuto de silêncio
 e uma música inaudível.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Estado de coisas

(Sétimo dia após a tragédia de Santa Maria/RS - 2013)



Cantavam, dançavam, sorriam,
e assim, se repetiam.

Então...
Sorrisos pediram licença.
A música fez silêncio.
As vozes calaram.

A cortina fechou a única saída.

Aqui jaz
a omissão de uns vários...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dançam os 7 véus




Não te voltaste pra mim

como te voltas pra Meca.

Então...

vagas até hoje

nas areias do meu deserto.

E me curvo

a tua reverência peregrina

Apenas para que as vezes

continuem as voltas

com a magia.

E apesar disso...

o tapete voador foi incapaz

de nos fazer sair do chão.

O Islã

 hoje

não quer lembrar

a antiga doutrina secreta.

Consulto o que resta de nós

na borra

 que te faz reaparecer

no meio do café da tarde.

Salazar...

tu me chamavas

sem saber o significado.

Eu...

uma moça pseudo-cristã

praticamente uma pagã.

Prefiro não crer

nas mil e uma noites.

Assim...

os dias nunca anoitecem

e eu

 jamais danço no teu ventre.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Embarque pelo portão 7


Hoje eu encontrei com Deus...
no teu corpo estremecido
no movimento breve
no desfalecimento morno.
Hoje eu encontrei com Deus...
para um mergulho
sem que eu soubesse
a profundidade.

sábado, 1 de outubro de 2011

Gira mundo


Há qualquer tempo
mesmo nos
consagrados ao relâmpago.
Há anos...
Amo o instante agora
que desafina
que desafia
que desalinha.
Vivo o limiar
do fio da navalha
da ponta da lança.
da lâmina do machado.
 Em tudo há amor retido.
Em cada entrelinha
em cada linha
em cada ponto.
No núcleo do átomo.
Corre
gira
e me levas...
E firma o ponteiro no segundo.
Então hora altos
hora baixos
na velocidade imprecisa
em que pensamos
que isso é estar vivo.
E te amo agora
porque tudo passa.
Não é sã a consciência 
é pura metafísica.
Amo porque é cósmico
não é de agora.
Agora
precisamente agora
onde até o ódio
é amor adoecido.
Quando calo...
todos me escutam.