Entre sem se perder...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Dias de Sabbath

Um pássaro destroçado
voou para dentro da boca.
Penas repousam
embaixo da cama.
Baratas adornam
os cantos da casa.
Esbarro com meio corredor
no fim da lagartixa.
Cruzo por aranhas paraplégicas.
Todos os dias recebo presentes...
os mais diversos presentes.
Asas, patinhas, antenas, ferrões
compõem a mais fina tapeçaria
de que me posso orgulhar.
Sobrevoam a casa abelhas zangadas
e zangões que desistiram de serem abelhudos.
Borboletas com suas asas magoadas
enfeitam as cortinas
num abre-fecha incessante.
Não quero ser bruxa.
Mas o sétimo gato me visita todas as noites.
Mustafa é o seu nome!
Mustafa não quer me abandonar.
Vasculha coisas
me encontra na madrugada.
O gato número 7
me persegue.
Como todos os outros que atirei pedra
decidiu ele também
tomar conta do meu telhado de vidro.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A dança de Safo

Decidiu chover dentro do quarto.
Linda-gris a lua fotografava.
Lânguida lambia...
e até o cabelo suava.
Molhou bem
se encharcava.
Cuspia tudo
te vomitava.
Não permiti que nadasse.
O lençol te afogava...
na noite em que decidi
que só tu pingaria.

sábado, 29 de novembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Desgraçado poema...


Esperei que chegasse o dia mais triste.
Esperei que fosse nublado.
Esperei que chovesse
que trovejasse.
Esperei a noite
do dia mais sinistro do ano...
Para escrever este poema
aguardei que desse meia-noite.
Procurei a sepultura mais monumental
mais imponente
do cemitério mais tétrico.
Queria falar sobre vampiros
sobre magros vampiros famintos.
Cheguei a escrever com sangue o poema
e lhe emprestei um tom mais macabro.
Mas meu poema
teima parecer só engraçado.