Entre sem se perder...

terça-feira, 18 de junho de 2013


(...) se por um lado,
fé demais, cheira mal;
por outro,
o mais devastador tipo de fé,
continua sendo
a crença na descrença.

domingo, 9 de junho de 2013

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Armadura


A fresta espreita o seu mundo
de guerras equivocadas,
 ilusórias.
Sem rumo,
ele marcha,
com saudades
 da própria solidão.
O rancor pesa,
 entalhado no aço.
O cavaleiro digladia-se.
O herói carrega Atlas nas costas
e sua falta de fé no bolso.
Não há honra maior
do que ser vencido pelo amor.
E pra isso a vestimenta
é apenas um peito nu.
Toda a donzela
só precisa de um lenço.
Será o sinal
para iniciar a travessia
do seu estreito canal 
e te fazer nascer de novo.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Descrença



Sou a espera, a calma.
Há uma mansidão 
nessa minha inquietude.
O que trago, veio comigo.
Abriste mão de mim
por isso, me levaram.
Não sabias quem eu era?
E não sabes ainda 
o que fazer comigo?
Todas estão contidas em mim.
E este poder é feminino.  
De lembrar, agora mesmo,
desprende...
Eu dancei na tua frente,
nua e prateada.
Tu não me viu.
Tu também não acreditavas 
e aumentaste o coro dos incrédulos.
Sou aquela cercada de animais
por toda a volta.
Ao pronunciar meu nome,
ouvirás um hino em teu louvor.
Cala-me pra sempre
porque só a ti é permitido.
Se a beleza te confunde,
fecha os olhos
e fica só com o meu espírito.
Toma-me em teus braços,
uma única vez,
e recordarás que todo o meu corpo
é pura oração. 

domingo, 12 de maio de 2013

Renúncia






Sou o mistério que se desvela.
Sou este misto, este vulto.
Parto pra nunca mais.
Matriarca e tu não entendes.
Não importam minhas sementes.
Não queres linhagem...
Cultuar todas as bandeiras do mundo
te fará despatriado.
A ti importa um amor a cada guerra. 
Eu, no entanto, devo ir...
porque se fizeres amor comigo,
uma vez mais, 
morrerei em teus braços.
Estou prestes a me ver refletida. 
Estamos próximos de desvendar
o mistério da crucificação.
Todos os magos sabem quem sou.
Sou aquela que tendo o poder, 
o maior de todos os poderes, 
abdico, por amor,
apenas para ser como tu és,
um mísero mortal.

sábado, 11 de maio de 2013

Chegada a hora...

 (Para Maria Fernanda Serpa, em 11 de maio de 2013)


Quando alguém morre...
um minuto do nada é concedido.
Tudo pára, tudo suspende.
Cada passagem dispensa um instante.
Ninguém de nós sente, ninguém de nós percebe.
É o tempo dentro do tempo.
É a relatividade das dimensões.
Naquele instante de suspensão,
Ele,
em sua infinita magnitude,
homenageia a todos que partem
com um minuto de silêncio
 e uma música inaudível.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Estado de coisas

(Sétimo dia após a tragédia de Santa Maria/RS - 2013)



Cantavam, dançavam, sorriam,
e assim, se repetiam.

Então...
Sorrisos pediram licença.
A música fez silêncio.
As vozes calaram.

A cortina fechou a única saída.

Aqui jaz
a omissão de uns vários...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dançam os 7 véus




Não te voltaste pra mim

como te voltas pra Meca.

Então...

vagas até hoje

nas areias do meu deserto.

E me curvo

a tua reverência peregrina

Apenas para que as vezes

continuem as voltas

com a magia.

E apesar disso...

o tapete voador foi incapaz

de nos fazer sair do chão.

O Islã

 hoje

não quer lembrar

a antiga doutrina secreta.

Consulto o que resta de nós

na borra

 que te faz reaparecer

no meio do café da tarde.

Salazar...

tu me chamavas

sem saber o significado.

Eu...

uma moça pseudo-cristã

praticamente uma pagã.

Prefiro não crer

nas mil e uma noites.

Assim...

os dias nunca anoitecem

e eu

 jamais danço no teu ventre.