Escrevo com o desejo de quem testa.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Primeira Pessoa do Plural
As procuradoras passaram a ser procuradas.
Entoamos cânticos de hematomas aos filhos.
Adotamos para que adotem nosso sofrimento.
Adotamos para que adotem nosso sofrimento.
Paramos o carro e mijamos no morador de rua
debaixo da marquise dos olhos de todos.
Grafitamos o muro das imoralidades
debaixo da marquise dos olhos de todos.
Grafitamos o muro das imoralidades
todas as noites.
Quem nunca saiu no tapa com a mina?
Quem nunca esquartejou a mina?
Quem nunca trancou sua Richthofen
em regime fechado e a impediu de atuar?
Tempos modernos
de se engravidar do especialista
em reprodução humana.
Twitamos o nosso assassinato
centenas de vezes.
Pelo orkut
estupramos uma amiga
com hora marcada
esses dias.
Botamos fogo no índio
pensando que ele era mendigo
pensando que éramos filhos de deputado federal.
Mandamos as crianças para a catequese
para que eretos as ensinem a ajoelhar.
Nós, só nós...
sozinhos
fizemos tudo isso.
sábado, 3 de julho de 2010
Mundo das Maravilhas
Jogava cricket
num dia de Alice
quando quase perdi a cabeça.
Sei muito bem Senhor Gato
que estou atrasada
mas quem deveria me interpelar
era o relógio...
ou seria o coelho?
Quem é você?
Porque eu sei quem sou!
E se for o Senhor Carrol...
saiba que não escreverá sozinho a minha história.
Caminhar de Carolina
Caminhar de Carolina
Com o seu caminhar de coral
Carolina
percorre as colunas
da classe.
O coral de Carolina
colore a classe de cor,
torna Carol a menina.
E a lua, vendo aquela cor
coral nos pés de Carolina,
põe no colo da classe
sua cara corada de menina.
Cecilia contaria.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Batismo
Carrego comigo a carga de todas as fêmeas
a indigestão de todas as raças
o mal estar de todos os tempos.
Não deixo nada guardado.
São os segredos que me despejam
me expõe
me botam pra fora.
Não digiro nada direito.
E sofro ao pensar
que tudo está bem.
Prefiro a fome
porque a cegueira não mata.
Pensar que o mundo são só partículas
é morar na zona de conforto.
É preciso muita fé
pra ser materialista.
Este poema dedico ao ateu
que ontém
enterrei rezando.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Desnudando
Estamos Marias e Josés
mas não somos Josés
nem Marias.
Estamos
mas não somos.
Vestimos roupas emprestadas
roupas perecíveis.
Roupas que aguardam
serem guardadas
num luxuoso armário de madeira
também sem importância.
Aguardamos o dia solene
do abrir e fechar
sem chaves.
E pela passagem secreta
alguns descobrirão
o fundo do armário.
Alguns acenderão a luz
outros demorarão
a encontrar o interruptor.
Não choro por aqueles que perderam a roupagem.
Choro sempre pelos apegados demais
as próprias vestes.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Gira na luz
Sou moça faceira.
Vivo só pra te agradar.
Meu mundo é um pandeiro
Vivo só pra te agradar.
Meu mundo é um pandeiro
onde costumo dar as cartas.
Meu cabelo
sete saias.
Meu rumo
sete estradas.
Meu banho
é noite de fogueira.
Meu olhar beija o nada
e a boca vara madrugada.
Abri mão do futuro
pra ter destino.
Chego na ponta do pé
te conheço com a palma da mão.
Sou vulto
sou pouca, sou muita...
Não sou casta
mas posso ser santa.
Sou Samara
Mara.
Sou Nadjanaíra
sou Nadjara.
Se pensa que sou uma
te engana.
Sou ente.
Em meio ao tudo
sou alma cigana.
https://www.youtube.com/watch?v=_dHkGUPfi5g
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