Entre sem se perder...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Máquina do tempo


A fonte negou minha senilidade
num mergulho de quero antigamente.
Distorcido tempo
dança ao som do metal
e reduz a vida ao plástico.
Passando pelo presente
o futuro se confunde
não sabendo onde quer dar...
Pela tela de plasma
previsível
a nostalgia do velho tubo de imagem.
O tédio ansioso
aguarda um descongelamento.
Deseje o fim pra não acabar.
Apago vestígios de ontem.
Não pretendam que eu seja sempre.
Visto o terno
aguardo o término.
Devolvam a dignidade das rugas
... me lanço sobre o bisturi que se oferece
esperando a morte
vestida de noiva.

Do começo ao fim


Quando te conheci
quis casar menina.
Da primeira vez
fiz amor parecendo última.
Éramos
anjos obscenos...
Havia paixão, fúria,
uma vontade de chorar incontrolável.
Agora o que quero é te perder...
pra sempre.

Pra que
toda esta história tenha
algum sentido.

Romance Policial

(...) na voz do delegado.
Começou dar queixa
- sem crime
Decido: sedução
e registro a ocorrência
me faço de vítima
ponho ela no papel da escrivã
uso toda a autoridade
e digo não pára,
conte nua.
Então ela cala
Eu - Falo sem parar.

... e trocamos de posição.

Sem cerimônia


Velhas doces mentiras passaram aqui.
Falaram de ti.
Para cada nova mulher
haverá uma centena de homens.
A despedida é lenta.
Juntos a pior forma de saudade.
De repente o fim se despede do começo
tentando manter uma certa solenidade.



quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Interesseiros Interessantes

Contemplam o madrugar da minha solidão.
Atentos sentinelas
observam a queda de meus telhados.
Fazem serenata
pra elogiar meu sono.
Perdem vidas, não o élan.
Nascem pobres
e vivem da farsa aristocrática.
Pregam a utopia da liberdade equilibrista
trajados em charmosos casacos de pele.
Desaparecem pardos
camuflados noite adentro.
Dias depois
lamentam arrependimentos.
No zinco resolvem desafetos.
São amaldiçoadas pirâmides
e cultuados adormecidos.
Divertem-se as nossas custas.
Fingem-se perigosos traidores.
Vagabundeiam à luz do dia
pra que todos saibam.
Odeiam subserviência.
Reagem sempre à altura.
Somos seus bichinhos de estimação.




Memórias de menina

Lembro das tuas duas metades...
a de cima
pouco impressionava
a de baixo
fascinante.
Rua da Praia
aglomerado de meias pessoas...
Saudades de uma Porto Alegre
que enxergava sempre maior que meu alcance.

Vênus Voyer

Vênus
nos
nus.

Labirinto


Eu precisava de muitas respostas
e tudo que eles sabiam fazer eram perguntas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Longa noite



Acabou logo...
Nosso caso - um monólogo.

Noite longa...
Dia logo!

Inventando


Os versos que invento
são todos ao vento...
São versos que vertem em ventania
São versos vindouros que vem vindo...
Uns sim, outros vão...
São versos sem verso
são múltiplos os versos
a esvaziar meu universo.