Entre sem se perder...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Interesseiros Interessantes

Contemplam o madrugar da minha solidão.
Atentos sentinelas
observam a queda de meus telhados.
Fazem serenata
pra elogiar meu sono.
Perdem vidas, não o élan.
Nascem pobres
e vivem da farsa aristocrática.
Pregam a utopia da liberdade equilibrista
trajados em charmosos casacos de pele.
Desaparecem pardos
camuflados noite adentro.
Dias depois
lamentam arrependimentos.
No zinco resolvem desafetos.
São amaldiçoadas pirâmides
e cultuados adormecidos.
Divertem-se as nossas custas.
Fingem-se perigosos traidores.
Vagabundeiam à luz do dia
pra que todos saibam.
Odeiam subserviência.
Reagem sempre à altura.
Somos seus bichinhos de estimação.




Memórias de menina

Lembro das tuas duas metades...
a de cima
pouco impressionava
a de baixo
fascinante.
Rua da Praia
aglomerado de meias pessoas...
Saudades de uma Porto Alegre
que enxergava sempre maior que meu alcance.

Vênus Voyer

Vênus
nos
vê
nus.

Labirinto


Eu precisava de muitas respostas
e tudo que eles sabiam fazer eram perguntas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Longa noite



Acabou logo...
Nosso caso - um monólogo.

Noite longa...
Dia logo!

Inventando


Os versos que invento
são todos ao vento...
São versos que vertem em ventania
São versos vindouros que vem vindo...
Uns sim, outros vão...
São versos sem verso
são múltiplos os versos
a esvaziar meu universo.


domingo, 24 de agosto de 2008

Ah, meu pai...
E sua difícil arte de amar...
Ah, meu pai...
O homem que mais me fez chorar.


Os verdadeiros náufragos
conheci na areia.

Não endireito...


Eu
breve...
ele
em entravos...
Eu
estado de greve...
ele
preocupação com centavos...
Eu
em Porto Alegre.
Ele
em Davos.

Varandas de Deus


Os olhos de Deus não costumam descansar.
Os olhos são amarelos claros
quase brancos.
Eles desaparecem numa lilás imensidão.
Quem olha pra Deus uma única vez sabe.
Não são vistas grossas.
Sua cegueira o faz saber bem das coisas.