Entre sem se perder...

domingo, 13 de junho de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Entre: a porta está sempre encostada...




Gira na luz



Sou moça faceira.
Vivo só pra te agradar.
Meu mundo é um pandeiro
onde costumo dar as cartas.
Meu cabelo
sete saias.
Meu rumo
sete estradas.
Meu banho
é noite de fogueira.
Meu olhar beija o nada
e a boca vara madrugada.
Abri mão do futuro
pra ter destino.
Chego na ponta do pé
te conheço com a palma da mão.
Sou vulto
sou pouca, sou muita...
Não sou casta
mas posso ser santa.
Sou Samara
Mara.
Sou Nadjanaíra
sou Nadjara.
Se pensa que sou uma
te engana.
Sou ente.
Em meio ao tudo
sou alma cigana.

https://www.youtube.com/watch?v=_dHkGUPfi5g

quarta-feira, 24 de março de 2010

Nem tudo o que reluz...


Pensava na mãe da minha mãe
vestida para matar
não descosturada
desabotoada.

Quando soube
a vi entre plumas
em meio a névoa
e não sentada na calçada.

Achava que bebia Martini
não cachaça.

Pensava nela
disputada por uma legião
não abandonada.

Imaginava seu colo nú
não seu ventre vazio.

Pensei nela coberta de ouro
e não descoberta.

Imaginei tudo diferente...
Agora que sei
há coisas que ainda
 não consigo imaginar.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Caneta desapontada

Usei toda a força que tinha.
Usei toda a força que tinha
só pra amar.

Depois usei toda ela
e continuei amando.

Depois usei além dela
pra deixar.

Depois usei o que podia
pra continuar...

Depois
esquecer.

Agora
o que restou
sem força
uso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mal-me-quer


É fácil entender...
É fácil viver a simplicidade da margarida.
Promessa de amor.
Promessas de previsão bem plantadas.
Obviedade que brota da terra.
Amei um homem
 que só amava margaridas óbvias
 repletas de brancura.
Margaridas previsíveis
que se submetem a adivinhação barata...
Condenadas a sorte de só dizer a verdade.
Amei um homem entre muitos.
Este não sabia
 o quão genuínos são os trópicos.

Morrera sem saber.

 

Como outros tantos
não sabia que frágeis somos nós
que por natureza nascemos
desprovidas de chão.





segunda-feira, 13 de julho de 2009

Da noite em que te peguei no colo...

Boy behind the Mask - Sarah Weaver

Sendo vários...
foste único.
Menino-pop de negra retina.
Menino-meigo
Pequeno Príncipe.
Tu moras agora nos passos da Lua
nos passos da rua
Tu brincas agora na Terra do Nunca.
Dormes num palco eterno
e te cobres apenas de aplausos.
Lágrimas compõe tua canção jamais ouvida
por nós jamais esperada.
Dorme
pequena criança.
Desliguem as luzes!
... estrelas não se apagam.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009