Entre sem se perder...

sábado, 11 de maio de 2013

Chegada a hora...

 (Para Maria Fernanda Serpa, em 11 de maio de 2013)


Quando alguém morre...
um minuto do nada é concedido.
Tudo pára, tudo suspende.
Cada passagem dispensa um instante.
Ninguém de nós sente, ninguém de nós percebe.
É o tempo dentro do tempo.
É a relatividade das dimensões.
Naquele instante de suspensão,
Ele,
em sua infinita magnitude,
homenageia a todos que partem
com um minuto de silêncio
 e uma música inaudível.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Estado de coisas

(Sétimo dia após a tragédia de Santa Maria/RS - 2013)



Cantavam, dançavam, sorriam,
e assim, se repetiam.

Então...
Sorrisos pediram licença.
A música fez silêncio.
As vozes calaram.

A cortina fechou a única saída.

Aqui jaz
a omissão de uns vários...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dançam os 7 véus




Não te voltaste pra mim

como te voltas pra Meca.

Então...

vagas até hoje

nas areias do meu deserto.

E me curvo

a tua reverência peregrina

Apenas para que as vezes

continuem as voltas

com a magia.

E apesar disso...

o tapete voador foi incapaz

de nos fazer sair do chão.

O Islã

 hoje

não quer lembrar

a antiga doutrina secreta.

Consulto o que resta de nós

na borra

 que te faz reaparecer

no meio do café da tarde.

Salazar...

tu me chamavas

sem saber o significado.

Eu...

uma moça pseudo-cristã

praticamente uma pagã.

Prefiro não crer

nas mil e uma noites.

Assim...

os dias nunca anoitecem

e eu

 jamais danço no teu ventre.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Embarque pelo portão 7


Hoje eu encontrei com Deus...
no teu corpo estremecido
no movimento breve
no desfalecimento morno.
Hoje eu encontrei com Deus...
para um mergulho
sem que eu soubesse
a profundidade.

sábado, 1 de outubro de 2011

Gira mundo


Há qualquer tempo
mesmo nos
consagrados ao relâmpago.
Há anos...
Amo o instante agora
que desafina
que desafia
que desalinha.
Vivo o limiar
do fio da navalha
da ponta da lança.
da lâmina do machado.
 Em tudo há amor retido.
Em cada entrelinha
em cada linha
em cada ponto.
No núcleo do átomo.
Corre
gira
e me levas...
E firma o ponteiro no segundo.
Então hora altos
hora baixos
na velocidade imprecisa
em que pensamos
que isso é estar vivo.
E te amo agora
porque tudo passa.
Não é sã a consciência 
é pura metafísica.
Amo porque é cósmico
não é de agora.
Agora
precisamente agora
onde até o ódio
é amor adoecido.
Quando calo...
todos me escutam.

Letras órfãs, palavras sem pai, nem mãe...

Os restos de amor
batem à porta
do judiciário.
Testemunha-se
o estridente deslinde
de uma noite de amor
que resultou em
investigação
de paternidade.
A criança violentada
atenta a discussão
não mais dos pais
mas dos teóricos.
Resultam pilhas
de papéis sem solução
os ligames adoecidos.

Pretende-se escrito
tudo que deveria
ser tácito.
O casamento
discute longamente
com sua natureza contratual
acabando em divórcio.
Peticionamos por socorro!
E o amor
 diante de sua infinitude...
resta apenas apaixonado
por uma lide.

Solitária Gota d'água


O macro compreende suas partes...
As partículas
- se desunidas -
 jamais entenderão
 o todo a que pertencem.

Nem tanto ao céu...

Assumo todas
 as minhas contradições
 como traços da minha
 mais absoluta
coerência.

sábado, 3 de setembro de 2011

Diga como se faz a festa!



                                                       
 À Mestre Obashanan

Pela primeira vez
num Lá
bem longe...
Surge Ayan em seu tambor de dormir.
Envolta por mistério profundo.
Dança ao toque de sua potestade.
Ouve-se a percussão da vida
e a música vira entidade.
É o ritual que inicia.
Nasce no mundo
o contágio por esta tal alegria.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Confidencial


Reconheço-me
 como uma senhora profana
mas te olho com ares de dama antiga
e me presto a enfeitar meus cabelos curtos
como se longos fossem
para te iludir quanto à época
em que estamos.
E confiro a ti uma intimidade
incompatível com o período
e me permito dizer
 com um tom de vergonha
o que uma mulher de respeito 
e casada jamais diria.
Entre sins e senãos
peço para que me encorages
e com vergonha
do meu colo nú
nas tuas mãos
falo
sem querer
terríveis absurdos
coisas impublicáveis
que somente uma paixão
 justifica.